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Energia elástica, entenda como ela afeta seu treino!

A energia elástica é um importante componente dos treinos de musculação e precisa ser usada com inteligência para que possamos ter melhores resultados e treinos mais intensos!

Energia elástica

As propriedades de nossos músculos são muitas e elas podem interferir positiva ou negativamente na musculação, dependendo do contexto em que ela é usada. A energia elástica é uma destas propriedades, que em determinados casos, pode ser muito positiva para melhorar a performance e em outros, pode prejudicar seu treino.

Por isso, é importante entender o que é a energia elástica e como usá-la de maneira inteligente em seu treino, para que ele tenha uma elevada intensidade!

O que é energia elástica?

Segundo Campos (2005) a energia Elástica é aquela energia que fica acumulada no tecido muscular durante a fase excêntrica de determinado movimento muscular e que pode vir a ser utilizada na contribuição do encurtamento do músculo durante a fase concêntrica da contração.

Tornando este conceito mais claro, o músculo tende a acumular energia quando a resistência externa está vencendo a resistência muscular. Esta energia é um mecanismo que ajuda na transição das contrações excêntricas para a concêntricas.

É importante entender que o cérebro tem diversos mecanismos de defesa e que sua principal preocupação, é poupar esforço. Com isso, este foi um mecanismo evolutivo que nos propiciou melhorar o desempenho dos movimentos.

Além disso, é importante ressaltar que métodos como a pliometria usam esta energia elástica para aumentar o desempenho e promover um aumento da potência muscular. Neste sentido, é muito importante ter clareza que a energia elástica é sim muito importante, mas que pode atrapalhar alguns treinos de musculação, por reduzirem a intensidade dos treinos.

Veja agora como usar a energia elástica de maneira positiva para seus treinos!

Energia elástica e aumento da intensidade de seus treinos na musculação!

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Se a contração concêntrica, em que ocorre um encurtamento do músculo, ocorrer dentro de um período considerado razoável, logo após o alongamento da fase excêntrica, a energia que foi armazenada é usada na volta da contração concêntrica. Segundo Campos (2005), estima-se que este período razoável seja de até 0,9 segundo.

Porém, se esta troca de direção acontecer entre a fase excêntrica e a concêntrica num período que seja superior a 0,9 segundo, esta energia elástica se perde com sua conversão em calor. Desta maneira, o músculo só conseguirá realizar a contração concêntrica utilizando seus componentes contráteis tradicionais, sem ter a ajuda dos componentes elásticos.

Em termos práticos, isso representa cerca de 20 a 30% de aumento na intensidade do exercício. Em termos absolutos, isso representa uma intensidade total muito mais acentuada, apenas com o ajuste na cadência dos movimentos. Veja agora como isso pode ser feito na prática!

Como usar a energia elástica ao seu favor na musculação

É importante salientar que aqui estarei mostrando aqui não é uma receita para todas as situações. Muitas vezes em práticas de melhora de desempenho esportivo e de potência muscular, usamos a energia elástica para o aumento da potência.

Desta maneira, o que irei mostrar é usado para a melhora das microlesões teciduais, geradora de hipertrofia.

Vou focar em mostrar como isso ocorre em dois exercícios diferentes, mas no geral, este acúmulo de energia elástica acontece de maneira igual nos demais movimentos. Vou falar da rosca direta e do agachamento.

1° Na rosca direta, seja ela com barra ou com halteres, no final da fase excêntrica, estamos com os cotovelos quase que completamente estendidos. Se nesta fase, você rapidamente mudar a direção do movimento, o ponto inicial será feito com a ajuda da energia elástica acumulada. Por isso, o ideal é neste ponto, ou seja, na transição das fases de contração, você segure o movimento por pelo menos 1 segundo e só então, voltar para a fase concêntrica.

Leia também: Variações da rosca direta para obter melhores resultados (4 estratégias importantes)

É óbvio que isso trará muito mais dificuldade ao movimento, mas é justamente isso o que buscamos nesta fase. Veja como a cadência dos movimentos é importante para o aumento da intensidade dos mesmos!

2° Já no caso do agachamento, teremos o mesmo caso na parte final do movimento, quando você estiver com os joelhos e o quadril flexionados. Neste momento, também se indica a parada de 1 segundo, para só então, voltar a fase concêntrica. É muito importante também que nesta fase do movimento, suas curvaturas fisiológicas da coluna sejam mantidas, para não gerar uma sobrecarga desnecessária!

Perceba que a ideia é a mesma, basta saber identificar as fases concêntricas e excêntricas de cada movimento. Este simples ajuste em seu treino, irá trazer um grande aumento da intensidade.

Como se isso já não fosse o suficiente, ainda temos um ponto muito importante que se beneficia desta prática. As trocas de direção rápidas, fazem com que tenhamos uma maior sobrecarga sobre as capsulas articulares, um dos principais motivos de lesões. Se você usar um tempo adequado na transição das fases, terá muito menos chances de lesões.

Em treinos de potência, estas trocas rápidas se tornam inevitáveis, mas neste tipo de treino, temos de ter uma preparação prévia. Em termos de periodização, estou falando do período básico. Com isso, as articulações já terão tido o tempo de adaptação necessário.  

Leia também: 5 Benefícios do agachamento

Isso, mais uma vez, nos mostra que treinar adequadamente, de maneira intensa, é muito mais do que deslocar pesos como um guindaste. Este pequeno ajuste já nos trará um ganho exponencial, que pode ser a base para uma melhora substancial em seus resultados. Isso é a essência do treino inteligente, intenso e efetivo. Bons treinos!

Referências:
Campos, Maurício de Arruda. Biomecânica da musculação/ Maurício de Arruda Campos. – Rio de Janeiro: Sprint, 2005

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  1. Excelente artigo!
    A única dúvida que ficou pra mim foi se, ao eliminar a energia elástica acumulada na fase excêntrica, não estaria entrando em “descanso” ao ficar parado? Em termos práticos e com relação à intensidade, eliminar o momentum é mais interessante do que “não descansar”?

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