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Musculação para diabéticos, é seguro? Como utilizar corretamente?

Pessoas que possuem diabetes podem fazer musculação? Ela faz bem? Estas são algumas das perguntas que irei te responder neste artigo! Temos um vídeo ao final do artigo também!

Musculação para diabéticos


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A diabetes é uma patologia que atinge uma grande camada da população. Neste sentido, é muito importante para os portadores da mesma, procurarem soluções para minimizar os efeitos.

Entre os grandes aliados, está a musculação. A musculação para diabéticos auxilia no processo de minimização dos processos patológicos.

Mas para que isso fique evidente, é importante entender os mecanismos da diabetes.

Entenda o que é realmente a diabetes e como a musculação pode te ajudar

Temos 2 tipos de diabetes: tipo I e II. As diferenças são estas:

  • Diabetes tipo I:

Ocorre quando o pâncreas não produz insulina suficiente e as células entram em um processo de autodestruição.

Geralmente “aparece” na infância e adolescência. Os portadores precisam de aplicações diárias de insulina. É menos frequente e atinge apenas 10% da população que possui a patologia.

  • Diabetes Tipo II:

O organismo desenvolve uma resistência a insulina, fazendo com que a absorção de glicose por parte das células.

De forma resumida, na diabete tipo II, devido a resistência a insulina, as células tem dificuldades em absorvê-la.

Lembrando que a insulina é responsável pela entrada da glicose nas células.

Como a musculação pode ajudar quem possui diabetes?

No geral, a musculação ajuda e muito, quem possui diabetes tipo II. Não que a tipo I não tenha benefícios. Mas os maiores, estão no tipo II.

Primeiramente, a principal razão para um diabético fazer musculação, reside no peso.

Devido a problemas de absorção, é comum que os diabéticos tenham problemas na manutenção do peso. Por isso, a musculação é uma alternativa para esta finalidade.

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Porém, a grande vantagem em relação ao treinamento resistido, é o controle glicêmico. Vamos à explicação:

– A musculação usa, prioritariamente, glicose como fonte energética.

Desta forma, de maneira aguda, a musculação ajuda a reduzir os níveis de glicose circulante.

Se o treino for constante, teremos uma redução crônica, caso a dieta esteja adequada.

– Além disso, o treinamento resistido ainda tem um outro efeito: redução dos níveis de insulina de forma aguda e aumento na fase pós-exercício.

Além disso, existe um equilíbrio entre glucagon e insulina durante a prática.

– De modo agudo e posteriormente crônico, há uma regulação mais acentuada dos níveis hormonais e consequentemente, da absorção por parte das células.

De forma geral, os benefícios da musculação para portadores de diabetes são profundos.

Em longo prazo, é possível, por exemplo, que alguns casos de pessoas insulinodependentes, passem a ter aplicações do hormônio cada vez mais esporádicos.

Naturalmente que existem milhares de outras variáveis, como a dieta, a genética, idade e estilo de vida. Mas de forma geral, a musculação é uma ótima aliada para quem possui diabetes.

Além disso, segundo orientação da Sociedade Brasileira de Diabetes, o ideal é mesclar exercícios resistidos com os aeróbicos, para fins de otimizar os efeitos agudos e crônicos.

Em um estudo de Moro (2012) foi possível verificar um controle da glicemia de diabéticos, após a utilização de exercícios aeróbicos e resistidos.

Neste vídeo, que usei em um programa de treinamento para profissionais de educação física, eu mostrei como o treinamento para diabéticos deve ser feito:

Como deve ser o treino de musculação para diabéticos?

Primeiramente, o foco deve ser na melhora dos componentes metabólicos. Assim, toda a lógica de treinamento deve ser feita em torno disso.

Além do mais, é muito importante trabalhar também com implementação de exercícios aeróbicos.

Falando em termos metodológicos, é interessante começar com cargas intermediárias (entre 60 e 70% de 1 RM) para a construção de uma base de condicionamento físico.

Além disso, é importante que no primeiro momento, o foco seja no condicionamento geral.

Treinos full body são uma excelente forma de trabalho. Lembre-se que o foco é a otimização do consumo energético.

Leia também:

Treino Full body (corpo todo), vale a pena fazer? E como utilizar corretamente?

Em termos de exercícios, priorize movimentos funcionais e principalmente, multiarticulares. Primeiramente, pelos benefícios óbvios para a qualidade física.

Segundo, porque os movimentos multiarticulares tem uma tendência a gasto energético maior, o que faz com que as adaptações sejam mais intensas.

Porém, precisamos de alguns cuidados. Pode ser que durante a prática, hajam crises de hipoglicemia, devido ao gasto calórico mais elevado.

Por isso, o volume e intensidade, principalmente nos primeiros meses, devem ser fortemente controlado.

No geral, também devemos trabalhar com aumento progressivo da carga e da intensidade, já que em níveis mais elevados, os benefícios são ainda maiores.

No mais, é fundamental que haja acompanhamento médico e exames constantes, bem como a adequação da dieta. Sem isso, o exercício físico não será muito útil.

Sempre treine com a orientação de um bom profissional!

Bons treinos!

Referências:
SBD, Atividades físicas e diabetes, posicionamento oficial. 2015.
MORO, A.R. P. Efeito do treinamento combinado e aeróbio no controle glicêmico no diabetes tipo 2. Fisioter Mov. 2012.

Sobre Sandro Lenzi

CREF: 22643-G/SC Profissional de educação física apaixonado pelo desenvolvimento humano. Atuo como produtor de conteúdo, personal trainer e com consultoria online. Quer ter um treino personalizado? clique aqui.

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