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Conheça mais sobre o Kaatsu training – Método japonês para hipertrofia

Conseguir potencializar o treinamento de força, tornando-o mais eficiente é o objetivo da grande maioria dos métodos de treino. Muitos deles são pesquisados e apresentam uma boa condição de aplicação, enquanto outros não se mostram tão eficientes. Neste sentido, o Kaatsu training vem sendo amplamente estudado pela ciência e tendo seus resultados positivos cada vez mais aceitos. Este método, que também é conhecido como método de oclusão vascular, tem no Brasil a grande referência do pesquisador e profissional de educação física, Alex Souto Maior, que é tido como um dos mais capacitados profissionais do país.

kaatsu training treino para hipertrofiaApesar de muitos acharem que este é um novo método de treinamento, ele foi desenvolvido há algumas décadas atrás, no Japão. Isso aconteceu mais precisamente em 1967, quando Sato, principal idealizador do Kaatsu Training, decidiu começar seus experimentos aplicando treinamentos em isquemia em seu próprio corpo, baseado-se em uma experiência pessoal quando, em um templo budista, ficou ajoelhado e então sentiu uma dormência em suas pernas. Determinado a entender as razões de tal fenômeno, Sato iniciou uma série de experimentos, usando seu próprio corpo como objeto de estudo e submetendo seus membros a pressões superiores a 600 mm Hg, por um tempo prolongado. Intervenções repetidas foram necessárias para que fosse possível determinar a posição ideal de onde seria mais correto aplicar a pressão para reduzir o fluxo de sangue, que estava sendo envolvido na musculatura. No ano de 1967, Sato conseguiu estabelecer um método eficaz e seguro, criando parâmetros para que fosse possível determinar a pressão adequada no treinamento contra resistido de baixa intensidade.

No ano de 1973, após sofrer um acidente de esqui, Sato quebrou alguns ossos de seu corpo e rompeu alguns ligamentos. Perante a perspectiva da época, de atrofia muscular, que até então era a consequência natural deste tipo de lesões, Sato começou a utilizar o treinamento desenvolvido por ele, o Kaatsu. Surpreendentemente, após o curto período de 2 semanas, seu médico diagnosticou que não só havia ocorrido um impedimento da atrofia muscular típica destes casos, mas ao contrário, o músculo tinha se hipertrofiado. Então Sato concluiu após esta experiência, que havia estabelecido à técnica básica para o treinamento de Kaatsu.

Alterações metabólicas do Kaatsu training

Depois desta experiência de Sato, muitos cientistas buscaram entender o porquê o treinamento em oclusão vascular poderia vir a causar hipertrofia. Para entender melhor tudo isso, é necessário que quais sejam as alterações que a oclusão vascular causa. Geralmente, as unidades motoras são recrutadas seguindo o princípio de seu tamanho, partindo das menores, que são as fibras de contração lenta, para as maiores que são as fibras de contração rápida. No entanto, diversos estudos atuais indicam que o princípio do tamanho não é respeitado em determinadas condições específicas, como no caso da contração excêntrica, onde o músculo é alongado de maneira forçada, ou ainda nas contrações potentes, onde o recrutamento sempre deve ser o mais rápido possível, ou ainda em contrações em condições isquêmicas. Nestes casos específicos apresentados, as fibras rápidas, conhecidas como glicolíticas são mais ativadas.

De acordo com Gentil (2004) a diminuição do fluxo sanguíneo, tomando como base as condições isquêmicas (oclusão vascular) causam a diminuição da entrega do oxigênio ao músculo e, consequentemente, uma maior ativação das unidades motoras grandes (fibras rápidas), já no início do movimento.

Takarada, , Sato, Takebayashi e Takazawa têm demonstrado através de experimentos e da prática que exercícios contra-resistidos de baixa intensidade (40%-50% 1RM), feitos em oclusão vascular, através do torniquete isquêmico de 50-200 mm Hg proporciona um aumento de força semelhante a um exercício feito em alta intensidade sem a oclusão. Segundo estes autores, a compressão externa aplicada, que restringe a circulação do sangue durante a execução do exercício, resulta em uma hipóxia intramuscular aumentada, induzindo assim ao recrutamento adicional das unidades motoras para que desta maneira, ocorra um aumento da atividade eletromiográfica do músculo, o que consequentemente mantém o nível de força elevado.

Outro fator que aumenta a importância nos treinamentos de oclusão feitos em baixa intensidade, é o aumento da concentração de hormônio do crescimento humano (GH) no plasma sanguíneo, se formos tomar como parâmetro os métodos de treinamento convencionais. De acordo com Gentil(2004), o aumento na concentração de GH em virtude do treinamento de força, ocorre porque as alterações fisiológicas que acabam estimulando o aumento da força e a hipertrofia, também são responsáveis pelo aumento de GH, assim como o acúmulo de metabólitos, que provavelmente estimulam os receptores químicos.

Sundenberg(1994) pesquisou as respostas agudas e as adaptações periféricas (diretamente no músculo esquelético) como resposta a isquemia gradual dos músculos em exercício. Os resultados demonstraram um aumento significativo na captação de O2 no membro que foi deixado em isquemia, se comparado ao membro sem a isquemia.

Basicamente, o treinamento em oclusão vascular (Kaatsu training) pode ser considerado uma excelente saída para que um treino com menos intensidade tenha o mesmo efeito de um treino intenso. Apesar de muitas pessoas acharem que ele parece lesivo, todas as pesquisas apresentadas e mais um grande número de estudos mostram que este método é seguro e eficiente. É de minha prática não passar técnicas e métodos que precisem de acompanhamento de um profissional, por isso, se você quer usar o Kaatsu training em seu dia a dia de treinamentos, precisa de um profissional capacitado, para que ele possa conduzir e planejar seu treino de forma segura. Mesmo quem não busca a hipertrofia, mas quer o aumento e a manutenção do tônus muscular, pode ter bons resultados com o kaatsu training. Bons treinos!

Sobre Sandro Lenzi

Educador físico apaixonado pelo desenvolvimento humano. Atuo como produtor de conteúdo, personal trainer e com consultoria online.
CREF: 22643-G/SC

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