Fase concêntrica é quando o músculo encurta e vence o peso (ex.: subir a barra no supino). Fase excêntrica é quando o músculo alonga enquanto controla o peso (ex.: descer o agachamento). As duas fazem parte da mesma repetição e cada uma pede uma ênfase diferente no treino.

A fase excêntrica costuma gerar mais microlesão muscular, o que a torna um gatilho relevante para hipertrofia — mas isso não significa treinar só o negativo. O equilíbrio entre as duas fases, dentro de um planejamento bem feito, é o que traz resultado de verdade.

O que é contração muscular, afinal?

A contração muscular é o que permite qualquer movimento do corpo, do simples caminhar até o levantamento de uma carga pesada na academia. Na musculação, é através dela que o estímulo chega ao músculo e o treino gera adaptação.

Existem dois grandes grupos: a contração isométrica, sem mudança no ângulo da articulação, e a isotônica, com mudança de ângulo. A isotônica se divide em duas fases: concêntrica e excêntrica. É sobre elas que vamos falar aqui.

Fase concêntrica: o momento de “vencer” o peso

fases concêntrica, excêntrica e isométrica no agachamento

Na fase concêntrica, o ângulo da articulação diminui e o músculo encurta. É quando a força que você aplica supera a resistência externa — a barra, o halter ou a máquina.

No supino reto, por exemplo, a fase concêntrica é o momento de empurrar a barra para longe do peito. No agachamento, é a subida. É a parte do movimento que a maioria das pessoas associa ao “esforço” do exercício.

Fase excêntrica: o momento de controlar o peso

Fase excêntrica e Fase Concêntrica contração muscular

Na fase excêntrica acontece o oposto: o ângulo da articulação aumenta, o músculo alonga e, desta vez, é a resistência que vence a força que você consegue produzir naquele instante.

No agachamento, a fase excêntrica é a descida. No supino, é a barra voltando em direção ao peito. Ela costuma ser mais fácil de sustentar por mais tempo, mesmo com cargas relativamente altas — e é justamente isso que a torna especial para o treino.

Concêntrica x excêntrica: comparação direta

CaracterísticaFase concêntricaFase excêntrica
O que acontece com o músculoEncurtaAlonga sob tensão
Quem “vence”A força do praticanteA resistência externa
Exemplo no agachamentoSubidaDescida
Capacidade de gerar forçaMenor a mesma velocidadeMaior a mesma velocidade
Relação com microlesão muscularMenorMaior

Por que a fase excêntrica gera mais microlesão

Durante a fase excêntrica, as fibras musculares são forçadas a alongar enquanto ainda tentam gerar tensão. Esse conflito mecânico produz mais microlesões do que a fase concêntrica, e é um dos gatilhos estudados por trás do processo de hipertrofia.

Essa relação entre exercício excêntrico e dano muscular é bem documentada na literatura científica. Proske e Morgan (2001), em revisão publicada no The Journal of Physiology, descrevem os mecanismos desse dano e como o músculo se adapta a exposições repetidas ao estímulo excêntrico1.

Isso não quer dizer que mais dor ou mais dano seja sempre melhor. Microlesão em excesso, sem recuperação adequada, atrapalha o treino em vez de ajudar. O ideal é dosar, não maximizar a qualquer custo.

Técnicas que dão ênfase à fase concêntrica

Algumas técnicas buscam ir além da falha muscular concêntrica, gerando mais estresse metabólico para estimular a hipertrofia. Elas costumam ser usadas por quem já treina há algum tempo e busca quebrar platôs.

Em fases de treino voltadas à potência, a ênfase concêntrica aparece de outra forma: movimentos executados com velocidade alta nessa fase, estratégia comum em modalidades esportivas que dependem de explosão.

Técnicas que dão ênfase à fase excêntrica

Para intensificar ainda mais a fase excêntrica — e assim buscar mais microlesão controlada — existem técnicas específicas, quase sempre indicadas para praticantes avançados e com supervisão.

  • Excêntrica forçada: o praticante executa a fase concêntrica normalmente, e o professor “empurra” o peso extra na fase excêntrica, elevando a intensidade até a exaustão nessa fase.
  • Excêntrica assistida por parceiro: a fase concêntrica é feita com ajuda, e a fase excêntrica é executada sozinho, de forma bem cadenciada e lenta.

Para entender melhor essa abordagem e como encaixá-la na rotina, veja o artigo sobre treino excêntrico.

Cuidados antes de aplicar essas técnicas

Técnicas de alta intensidade, como a excêntrica forçada, exigem planejamento. Usadas por tempo prolongado ou sem os devidos períodos de recuperação, aumentam o risco de lesão e de overtraining.

Elas também não substituem uma base de treino bem estruturada. Vale a pena revisar o conjunto de métodos disponíveis em Os 11 principais métodos de treinamento de força para decidir onde essas técnicas realmente encaixam no seu plano.

Perguntas frequentes

Qual fase é mais importante, a concêntrica ou a excêntrica?

Nenhuma das duas isoladamente. Elas compõem a mesma repetição e cada uma contribui de um jeito diferente para o resultado — a excêntrica tende a gerar mais microlesão, e a concêntrica é onde a maior parte da força é aplicada contra o peso.

Treinar só a fase excêntrica dá mais resultado?

Pode ser uma ferramenta útil em fases pontuais do treino, mas não é indicado como estratégia permanente. O corpo precisa das duas fases e de tempo de recuperação compatível com a intensidade aplicada.

Por que sinto mais dor muscular depois de treinos com ênfase excêntrica?

Porque a fase excêntrica gera mais microlesão nas fibras musculares, o que costuma se traduzir em mais dor tardia (aquela dor que aparece um ou dois dias depois do treino).

Iniciantes podem usar técnicas de ênfase excêntrica, como a excêntrica forçada?

Não é o mais recomendado. Essas técnicas pedem controle técnico e tolerância ao esforço que geralmente só vêm depois de uma base de treino já consolidada, sempre com acompanhamento profissional.

Drop sets e repetições parciais têm relação com a fase concêntrica ou excêntrica?

As duas técnicas têm ênfase na fase concêntrica: buscam ultrapassar a falha concêntrica para gerar mais estresse metabólico e continuar estimulando o músculo mesmo depois da exaustão inicial.

Referência

  1. PROSKE, U.; MORGAN, D. L. Muscle damage from eccentric exercise: mechanism, mechanical signs, adaptation and clinical applications. The Journal of Physiology, 2001. Disponível em: https://doi.org/10.1111/j.1469-7793.2001.00333.x.

Conhecer as fases concêntrica e excêntrica ajuda a entender melhor o que está por trás de cada repetição do seu treino. Manipular essa variável com critério aumenta a eficiência e a segurança do treino — mas o encaixe certo dessas técnicas na sua rotina depende das suas individualidades.

Treine sempre com o acompanhamento de um bom profissional. Bons treinos!

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Professor de Educação Física formado em licenciatura pela UNIME e Bacharel pela FSBA. CREF: 010586-G/BA

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