Pra fazer a remada curvada, incline o tronco à frente mantendo a lombar em posição neutra, segure a barra com os braços estendidos e puxe até a altura do umbigo, apertando as escápulas no topo do movimento. Desça de forma controlada, sem deixar o tronco subir e descer junto com o peso.
É um dos exercícios mais completos pra dorsais: trabalha o grande dorsal, o trapézio, os romboides, e ainda exige bastante do core pra manter o tronco parado durante toda a série.
O que é a remada curvada e por que ela funciona tão bem
A remada curvada é um exercício multiarticular de puxada horizontal, feito em pé, com o tronco inclinado à frente. Por usar barra e recrutar o corpo inteiro como estabilizador, ela entra naquele grupo de exercícios multiarticulares que costumo recomendar como base de qualquer treino de costas.
A diferença pra remada baixa ou pra remada articulada é justamente a postura. Nessas duas você fica sentado, com apoio pro tronco, enquanto na curvada o próprio corpo precisa se manter estável durante a puxada. Isso exige mais controle, mas também é o que torna o exercício tão eficiente pra ganhar espessura nas costas.
Uso a remada curvada com praticamente todo aluno que já tem alguma experiência de treino. Ela recruta o dorsal de um jeito que poucos exercícios de puxada conseguem, e ainda trabalha o core de forma indireta, só pra manter o tronco na posição.
Músculos trabalhados na remada curvada

- Grande dorsal (latíssimo do dorso): principal músculo puxado durante o movimento, responsável pela extensão e adução do ombro.
- Trapézio (porções média e inferior): atua na retração da escápula, junto com os romboides.
- Romboides: trabalham ao lado do trapézio médio na aproximação das escápulas.
- Deltoide posterior: auxilia na extensão do ombro durante a puxada.
- Bíceps braquial: flexiona o cotovelo pra trazer a barra até o tronco.
- Antebraço: os flexores de punho seguram a barra firme durante toda a série.
- Eretores da espinha e core: mantêm o tronco na posição inclinada, sem deixar a lombar ceder.
Como executar a remada curvada passo a passo
- Fique em pé com os pés na largura dos ombros, segurando a barra com pegada pronada, um pouco mais aberta que a largura dos ombros.
- Flexione levemente os joelhos e incline o tronco à frente pela articulação do quadril, até ficar perto de 45° em relação ao chão, mantendo a coluna neutra.
- Deixe a barra pendurada à frente das canelas, com os braços totalmente estendidos.
- Puxe a barra em direção ao umbigo ou à parte baixa das costelas, levando o cotovelo pra trás e apertando as escápulas no fim do movimento.
- Pare um instante no topo, sentindo a contração das costas, sem levantar o tronco junto com a barra.
- Desça a barra de volta de forma controlada, até os braços ficarem estendidos outra vez, sem perder a inclinação do tronco.
O ponto mais importante de toda a execução é manter o ângulo do tronco fixo do início ao fim da série. Se o corpo sobe e desce junto com a barra, parte do trabalho sai das costas e vai pras pernas e pra lombar, o que reduz o estímulo e aumenta o risco de lesão.
Pegada pronada, supinada ou neutra: o que muda
A pegada pronada, com as palmas voltadas pra baixo, é a mais usada na remada curvada e prioriza o trabalho de trapézio e romboides, já que facilita manter os cotovelos mais abertos durante a puxada.
Trocar pra pegada supinada, com as palmas voltadas pra cima, muda o ângulo do ombro e aumenta a participação do bíceps braquial no movimento. Também costuma facilitar puxar a barra mais perto do abdômen, com uma trajetória um pouco diferente.
Por outro lado, exige mais do antebraço e do cotovelo, então quem já sente desconforto na região, como em quadros de epicondilite, costuma se dar melhor com a pronada ou com a barra W.
A pegada neutra, mais comum quando o exercício é feito com halteres, fica num meio-termo entre as duas, geralmente mais confortável pro ombro. Se quiser entender melhor como cada pegada muda a ativação muscular em outros exercícios também, vale ler sobre os tipos de pegada e sua influência na musculação.
Variações da remada curvada
Remada curvada com barra W pegada supinada (inversa)

Trocar a barra reta pela barra W muda o ângulo do punho durante a pegada, o que costuma aliviar bastante o desconforto de quem sente o punho ou o cotovelo sobrecarregado na versão tradicional. O padrão de movimento é o mesmo, só muda o formato da barra.
Remada (serrote) curvada unilateral com halteres

Com um joelho e uma mão apoiados no banco, o outro braço puxa o halter até a lateral do tronco. Por trabalhar um lado de cada vez, essa variação ajuda a corrigir diferenças de força entre os lados e ainda reduz bastante a exigência da lombar, já que o tronco tem apoio.
Remada curvada unilateral na polia baixa

Com o cabo preso à altura baixa, o movimento é parecido com o dos halteres, mas o cabo mantém tensão constante durante toda a puxada, inclusive no início do movimento, onde o peso livre costuma aliviar a carga.
Remada curvada Pendlay row

Na Pendlay row, o tronco fica praticamente paralelo ao chão, e a barra volta a tocar o chão a cada repetição, começando cada puxada do zero, sem embalo. Isso tira quase toda a ajuda do impulso do quadril e obriga a puxar a carga só com as costas, o que costuma favorecer quem já tem uma boa base técnica e busca mais força e explosão.
Pra quem está começando, a remada curvada tradicional, com a barra suspensa, costuma ser mais fácil de controlar e ainda garante mais tempo de tensão contínua nas costas.
Erros comuns e cuidados com a lombar
Arredondar a lombar durante a puxada é provavelmente o erro mais sério na remada curvada. Com a coluna fletida, boa parte da carga que deveria ficar nas costas passa a comprimir os discos da região lombar, principalmente quando o peso é alto.
Usar impulso do quadril pra “ajudar” a barra a subir também é bem comum, sobretudo perto da falha. O problema é que isso transforma a remada curvada num exercício de corpo inteiro balançando, tirando ênfase do dorsal e sobrecarregando a lombar de um jeito que não estava no plano.
Deixar o tronco ficar ereto demais também atrapalha, porque muda o ângulo de puxada e reduz o trabalho do grande dorsal, aproximando o movimento de uma remada alta.
Vale entender por que o controle da lombar é tão importante especificamente nessa versão em pé do exercício. Um estudo de Fenwick, Brown e McGill (2009), publicado no Journal of Strength and Conditioning Research, comparou a remada invertida, a remada em pé com barra (a mais parecida com a curvada) e a remada unilateral no cabo. A remada em pé gerou uma ativação forte e simétrica na musculatura das costas, mas foi justamente a que produziu a maior carga na coluna lombar entre as três, enquanto a remada invertida apresentou a menor. Isso não quer dizer que a remada curvada seja perigosa, só reforça que, por ser feita em pé e sem apoio pro tronco, ela pede mais atenção à postura e ao controle de carga do que uma remada com apoio.
Na prática, isso significa escolher uma carga que você consegue controlar sem perder a posição da coluna, não necessariamente a carga mais alta que dá pra levantar de qualquer jeito.
Remada curvada x remada baixa: qual a diferença
A remada baixa, seja no triângulo ou com a pegada supinada, é feita sentado, com apoio pros pés e pro tronco, o que tira praticamente toda a exigência de estabilização da lombar. Isso permite focar só na puxada, com uma trajetória mais controlada.
A remada curvada, por ser feita em pé, exige que o próprio corpo sustente a posição do tronco, o que aumenta o gasto de energia da sessão, mas também eleva a exigência sobre a lombar, como mostra o estudo citado acima.
A remada articulada fica num meio-termo: tem apoio pro tronco, parecido com a remada baixa, mas com uma trajetória de puxada que se aproxima mais da remada curvada. Pode ser uma boa opção pra quem quer o estímulo da curvada com menos exigência lombar.
Nenhuma substitui totalmente a outra. Uso a remada curvada como exercício-base de força e volume, e as remadas com apoio como complemento, principalmente no fim do treino, quando a fadiga já reduz um pouco a capacidade de manter a postura em pé.
Em que treino incluir a remada curvada
A remada curvada funciona bem como primeiro ou segundo exercício de um treino de costas, logo depois ou antes de uma puxada vertical, como puxada alta ou barra fixa. Por ser mais exigente em técnica, prefiro deixá-la no início da sessão, quando o corpo ainda está descansado.
Combinar puxadas verticais com a remada curvada garante que as costas recebam estímulo tanto em largura quanto em espessura. Se quiser outras formas de otimizar esse treino, tenho 6 dicas pra deixar o treino de dorsais mais eficiente que se aplicam direto a esse exercício.
Como a remada curvada exige tanto do core pra manter o tronco estável, também vale prestar atenção no treino desses músculos de forma isolada, principalmente se você sente dificuldade em manter a lombar neutra durante a série.
Considerações finais
A remada curvada continua sendo um dos exercícios mais completos pra quem quer construir espessura nas costas. Poucos movimentos de puxada recrutam tanto músculo ao mesmo tempo, e é justamente por isso que ela aparece em praticamente todo programa sério de treino de costas.
O detalhe que faz a diferença é o controle da postura, muito mais do que a carga na barra. Comece com um peso que você consiga controlar do início ao fim da série, e só suba depois que a técnica estiver bem consolidada.
Perguntas frequentes sobre remada curvada
Remada curvada dói a lombar, é normal?
Remada curvada com barra ou halteres, qual é melhor?
Quantas séries e repetições fazer na remada curvada?
Remada curvada Pendlay row é melhor que a tradicional?
Posso fazer remada curvada com problema na lombar?
Treine sempre com o acompanhamento de um bom profissional. Bons treinos!


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1 comentário
Bom dia gostaria de esta fazendo o treino mais puchado e correto posivel