O ginkgo biloba é um fitoterápico usado principalmente pra melhorar a circulação sanguínea, com benefícios mais bem estabelecidos pra tontura, zumbido no ouvido e claudicação intermitente. Sobre memória, a ciência é mais cautelosa do que a fama do produto sugere: uma revisão recente mostrou que ele provavelmente não ajuda em comprometimento cognitivo leve, e só tem efeito pequeno e incerto em quadros de demência já diagnosticada. A dose usual fica entre 80mg e 240mg por dia, e não é indicado pra quem toma anticoagulante.

O que é o ginkgo biloba

O ginkgo biloba é uma árvore de origem chinesa, considerada um fóssil vivo. Existe há mais de 150 milhões de anos.

Chegou a ser considerada extinta, até ser encontrada de novo numa província chinesa. Hoje existe em vários países, inclusive no Brasil.

A folha é rica em flavonoides e terpenoides, com ação antioxidante e anti-inflamatória. É dessa folha que vem o extrato usado em cápsulas.

Para que serve o ginkgo biloba

O uso mais reconhecido do ginkgo biloba é pra melhorar a circulação sanguínea, principalmente periférica e cerebral. É por isso que ele aparece tanto em produtos voltados pra memória e concentração.

Mas vale entender: melhorar a circulação não é a mesma coisa que “curar” ou “prevenir” uma doença. A seguir, vou detalhar o que realmente tem respaldo científico e o que ainda é incerto.

Benefícios do ginkgo biloba

Circulação sanguínea. Esse é o uso mais consolidado, inclusive reconhecido por agências reguladoras internacionais. Ajuda em sintomas de insuficiência circulatória, como tontura e sensação de peso nas pernas.

Zumbido no ouvido (tinitus). Vários ensaios clínicos mostraram melhora nesse sintoma com o uso do extrato padronizado de ginkgo.

Claudicação intermitente. Ajuda a melhorar o fluxo de sangue e oxigênio nas pernas, aliviando a dor característica dessa condição circulatória.

Ação antioxidante. Os compostos do ginkgo protegem células saudáveis contra danos de radicais livres, o que está ligado ao envelhecimento celular.

Cognição em quadros de demência. Aqui é importante ter cuidado com a expectativa. Uma revisão Cochrane atualizada, que reuniu 82 estudos com mais de 10 mil participantes, encontrou que o ginkgo provavelmente não melhora a cognição em pessoas com comprometimento cognitivo leve.

Já em pessoas com demência diagnosticada, pode haver uma melhora pequena a moderada no estado clínico geral, mas essa conclusão vem de evidência ainda de baixa certeza (Cochrane, 2026).

Ou seja, ginkgo não é sinônimo de prevenção de Alzheimer, como muita gente ainda repete. O benefício real, quando existe, é limitado a quadros já estabelecidos de demência, e mesmo assim de forma modesta.

Prevenção de trombose. O ginkgo inibe a agregação de plaquetas, o que pode reduzir a viscosidade do sangue, um dos fatores ligados à trombose.

Saúde do coração. Como parte do efeito sobre a circulação, pode ajudar a reduzir a pressão arterial e diminuir a formação de coágulos, aliviando a sobrecarga do coração.

Ansiedade. Existem estudos preliminares associando o ginkgo à redução de sintomas ansiosos, possivelmente por seu efeito sobre cortisol e circulação. A evidência aqui ainda é menos robusta que pra circulação e zumbido.

Saúde ocular. A melhora na circulação e a ação antioxidante podem ajudar a proteger a retina, especialmente relevante pra quem tem glaucoma ou outras condições que afetam a visão.

TPM. Alguns estudos menores associam o ginkgo à redução de sintomas do período pré-menstrual, como inchaço e alteração de humor. Vale mais como possibilidade do que como indicação certa.

O que ainda não tem evidência forte

Vale ser honesta aqui: benefícios como aumento de libido, crescimento de cabelo, proteção solar e alívio de Parkinson aparecem em muitos textos sobre ginkgo biloba, mas a evidência científica por trás deles ainda é fraca ou baseada em mecanismos teóricos, não em estudos clínicos robustos. Prefiro não prometer algo que a ciência ainda não confirma direito.

Como tomar o ginkgo biloba

O ideal é sempre buscar orientação profissional antes de começar. A indicação geral é de 80mg a 240mg por dia, com maiores efeitos relatados na faixa de 120mg.

Pra evitar desconforto gástrico, tome durante as principais refeições, em até 3 vezes ao dia.

Ginkgo biloba engorda?

Não. O ginkgo não tem calorias relevantes nem componentes associados a ganho de peso.

Efeitos colaterais

O ponto de atenção mais importante: ginkgo biloba não deve ser combinado com medicamentos que afinam o sangue, como AAS, já que pode aumentar o risco de sangramento e até hemorragia.

  • Dor de cabeça
  • Alergia na pele
  • Enjoo
  • Palpitações
  • Queda de pressão arterial
  • Redução da insulina no sangue
  • Constipação

Quem não pode tomar

Crianças menores de 12 anos, gestantes, lactantes e pessoas com risco de hemorragia ou hemorragia ativa não devem usar ginkgo biloba.

Quem já toma anticoagulante também precisa de atenção redobrada, ou evitar o uso, sempre com orientação médica.

Perguntas frequentes sobre ginkgo biloba

Ginkgo biloba realmente melhora a memória?

Só de forma modesta e em quadros de demência já diagnosticada, segundo revisão científica recente. Em comprometimento cognitivo leve, a evidência mostra que provavelmente não faz diferença.

Ginkgo biloba previne Alzheimer?

Não existe evidência confiável disso. O que a ciência sustenta hoje é um possível benefício pequeno em pessoas que já têm demência diagnosticada, não uma prevenção da doença.

Posso tomar ginkgo biloba com aspirina?

Não é recomendado. O ginkgo pode potencializar o efeito de medicamentos que afinam o sangue, como AAS, aumentando o risco de sangramento.

Qual a dose ideal de ginkgo biloba?

Entre 80mg e 240mg por dia, com maiores efeitos relatados em torno de 120mg. O ideal é confirmar a dose com um profissional de saúde.

Já tomou ginkgo biloba ou tem alguma dúvida sobre o uso? Comenta aqui embaixo, gosto de responder.

Bibliografia
  • Birks J, Grimley Evans J. Ginkgo biloba for cognitive impairment and dementia. Cochrane Database of Systematic Reviews. Atualização de 2026 (82 estudos, 10.613 participantes). Ver revisão .

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