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Problemas gerados pela má postura ao uso do celular, como prevenir?

Estamos na era digital, onde a tecnologia móvel está presente em nosso cotidiano. Ficamos horas de olho nas redes sociais, conversas online, nas notícias, leituras, e-mails, até resolvendo assuntos de trabalho com a facilidade de um toque ou mesmo comando de voz pelo celular.

Os aparelhos, a cada dia, ficam mais leves e finos, com telas maiores e trazem inovações e novas funções, o que os tornam ainda mais indispensáveis. A criançada já nasce apegada aos joguinhos de celular, que conseguem prender a atenção deles como ninguém.

E é claro que tudo isso pode ser muito benéfico, pois traz informação, comunicação e muitos outros recursos ao alcance de todos.

Porém, ao mesmo tempo, não sabemos dosar o tempo de uso diário na utilização celular e pior, muitas vezes adquirimos uma postura viciosa com a utilização indevida e excessiva do aparelho, o que pode trazer consequências graves a longo prazo para nossa coluna e saúde.

Má postura segurar celular

Estima-se que o risco de desenvolver dores e disfunções é de cerca de 58% para os adultos que passam muito tempo fazendo uso do smartphone. A OMS (Organização Mundial da Saúde) já conceitua como epidemia os problemas na cervical ou coluna como um todo causados pelo uso inadequado e excessivo dos celulares.

E nossas crianças tem forte tendência de adquirirem disfunções graves da coluna cervical. Especialistas comentam que, levando em consideração a forma e o tempo que as crianças utilizam smartphones hoje em dia, uma criança de 8 anos pode precisar de algum tipo de cirurgia devido a esse fator, aos 28 anos.

Consequências do uso indevido do celular

Normalmente, ao utilizarmos o celular na posição de pé ou sentado, seguramos o celular na altura do cotovelo ou se sentado, ainda o apoiamos no colo, onde temos um relaxamento do braço e mais conforto dos membros superiores. No entanto, para visualizar o celular nesses posicionamentos, temos que flexionar o pescoço, além de exigir um esforço maior da visão.

A flexão, assim como extensão, rotação e inclinação da cervical (pescoço) é um movimento natural da coluna, no entanto, ao forçar a coluna cervical para baixo por um período de tempo prolongado, causamos uma sobrecarga articular, que é proporcionalmente maior conforme maior for a angulação da flexão, pois além da flexão forçada, temos o peso da cabeça e a força da gravidade.

Seguindo essa linha de pensamento, se estiver na postura correta, com a cervical correspondendo à sua curvatura fisiológica e a cabeça direcionada para frente, em posição neutra, o peso transferido para o pescoço é de cerca de 5 kg.

postura peso celular cervical

Se a inclinação frontal do pescoço for de 15 graus, esse peso vai para 12 kg, com uma flexão cervical de 30 graus, a sobrecarga passa 18 kg. O peso irradiado para o pescoço com 45 graus de flexão é de 22 kg, e por fim, ao fletir 60 graus a cervical, teremos uma carga de 27 kg sob a coluna.

Essa postura de flexão de cervical para usar o celular tem até um nome – text neck – ou pescoço de texto, e, segundo especialistas, pode se tornar um comprometimento postural fixo, ou seja, alterar a curvatura da coluna, gerar desequilíbrio muscular e postural, e modificar a biomecânica do pescoço, isso é ainda mais acentuado em crianças e adolescentes que ainda estão em período de crescimento ósseo.

A curvatura normal da coluna é uma leve curva com convexidade anterior, no entanto, estudos recentes indicam que esta curva está se tornando invertida e modificando todo o equilíbrio e estrutura corporal.

Esses fatores podem ocasionar consequências como desgaste da coluna cervical, dores por tensões musculares, compressão nervosa e até hérnia de disco.

Devido à má postura, problemas como redução da capacidade pulmonar, doenças cardíacas, cefaleias e problemas neurológicos também podem ocorrer.

Além das disfunções que afetam a coluna cervical, dores e parestesia (sensação de formigamento) nos braços, ombros, punhos e mãos também são frequentes, correspondente à posição estática tensionada durante um grande período de tempo, e também à digitação.

De acordo com Guterres et. al (2017), distúrbios como a tendinite, causando dor e perda de força, são comuns nas mãos e cotovelos. Em casos mais graves, essas estruturas corporais podem evoluir com bursite e síndrome do túnel do carpo no punho, causados pelo excesso de digitação e tempo muito elevado segurando o celular.

Dicas para prevenir e evitar os problemas gerados pela má postura ao uso do celular

modo correto posição segurar celular

Primeiramente, o ideal é buscar administrar corretamente o tempo em que usa o celular. Utilizar por menor período de tempo, e fazer pausas para movimentar, alongar e relaxar a região da cervical, ombros, braços e mãos.

Evite flexionar a cervical para olhar o smartphone, e para melhorar esse aspecto, mantenha a coluna reta e traga o aparelho para que fique próximo da altura dos olhos. Assim, seu pescoço não fica sobrecarregado.

Se estiver sentado, certifique-se de seu ombro está alinhado com seu quadril e com seus pés, você pode apoiar os cotovelos em uma mesa ou travesseiros para que possa alcançar o celular na linha dos olhos e ao mesmo tempo, deixar os membros superiores mais confortáveis.

Modo correto para segurar e digitar

Utilizar as duas mãos para segurar o celular, e os dois polegares para realizar a digitação, para que seu corpo fique em uma posição mais equilibrada, simétrica, e gerando menos estresse nas estruturas corporais.

Preste atenção do seu corpo, mantenha seus ombros, trapézio e região dorsal relaxados, e sua cabeça e pescoço no alinhamento natural.

Alongue, sempre que possível, a cervical – em inclinação lateral, flexão/extensão e rotação e trapézio. Faça movimentos rotacionais com os ombros, puxe-os para cima e em seguida, empurre-os para baixo.

Realize movimentos de bombeamento (abre e fecha) com as mãos, e, se possível, fortaleça seu corpo, para prepara-lo e prevenir lesões.

Referências:
BUENO, Glaucus Regiani; LUCENA, Tiago Franklin Rodrigues. Geração cabeça baixa: saúde e comportamento dos jovens no uso das tecnologias móveis. 2016. Disponível em: < http://abciber2016.com/wp-content/uploads/2016/trabalhos/geracao_cabeca-baixa_saude_e_comportamento_dos_jovens_no_uso_das_tecnologias_moveis_glaukus_regiani_bueno.pdf>
GUTERRES, J.L. et al. Principais queixas relacionadas ao uso excessivo de dispositivos móveis. Pleiade, 11(21): 39-45, Jan./Jun., 2017. Disponível em: <http://intranet.uniamerica.br/site/revista/index.php/pleiade/article/view/333/293>.
CUELLAR, Jason M.; LANMAN, Todd H. “Text neck”: an epidemic of the modern era of cell phones?. Disponível em: < http://www.thespinejournalonline.com/article/S1529-9430(17)30096-7/fulltext> .

Sobre Jeniffer Manfrini

Fisioterapeuta formada pela Uniasselvi Fameblu, apaixonada pela incrível máquina que é o nosso corpo humano, sempre em busca de novos conhecimentos e experiências. Atua como estagiária pela faculdade e é uma futura pós-graduanda em dermato-funcional.

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