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Diferenças entre o agachamento tradicional e o agachamento frontal

Todos os exercícios tradicionais da musculação apresentam algum tipo de variação, para que seja possível ativar um grupamento muscular diferente. Neste sentido, o agachamento tradicional apresenta algumas variações, entre elas o agachamento frontal. Na verdade esta variação não está nem no movimento, mas sim na posição em que a carga é usada. Basicamente, o agachamento frontal é realizado com a barra posicionada a frente da cabeça, na altura dos ombros. No mais, a execução do exercício é igual. Mas será que ele tem a mesma solicitação muscular? Qualquer pessoa pode incluí-lo em sua rotina de treinamentos?

Antes de responder estas perguntas é bom ressaltar que esta é uma análise geral e aspectos particulares devem ser avaliados de acordo com cada caso.

Agachamento frontal x Agachamento tradicional, análise de solicitação

agachamento frontal diferença arnoldSe formos tomar como parâmetro, os dois tipos de agachamento tem uma solicitação muscular mais intensa sobre a musculatura do quadríceps. Mas como já mencionamos neste artigo (Agachamento, herói ou vilão?) este é um exercício multi articular e exerce uma solicitação intensa sobre outros músculos secundários.

Com toda a certeza uma das pessoas que mais fizeram este exercício se popularizar foi Arnold Schwarzenegger, que usava o agachamento frontal em sua preparação para as competições de fisiculturismo. Isso fez com que muitas pessoas incluíssem este exercício em sua rotina de treinamentos, sem saber se de fato ele é mais ou menos eficiente que o agachamento tradicional.

Ao analisarmos as diferenças entre estas duas variações de execução, temos que analisar fatores como carga, amplitude de movimento e objetivos. Basicamente o movimento cinesiológico em membros inferiores é o mesmo, já que ocorre uma flexão dos joelhos, seguida por uma extensão. Já no quadril temos o mesmo movimento, do ponto de vista cinesiológico.

Portanto, as diferenciações que podem ocorrer ficam por conta da ação da gravidade sobre a carga. Para verificar se existe alguma diferença entre a solicitação muscular do agachamento frontal e do tradicional, Ferreira (2010) realizou um estudo onde buscou medir a atividade eletromiográfica destas duas variações. Este estudo utilizou como referência 70% da 1RM (máximo de peso que pode ser levantado para uma repetição, testado previamente em cada um dos voluntários) para os dois exercícios, assegurando desta maneira que estavam a comparar os exercícios utilizando e se baseando em uma intensidade semelhante.

Alguns resultados bastante interessantes foram encontrados após a análise de cada um dos exercícios. Apesar de no agachamento tradicional ser utilizado um peso mais elevado, a atividade muscular registrada no músculo quadríceps femorais e também sobre a lombar foi semelhante em ambos os exercícios. As forças de compressão sobre os discos vertebrais foram reduzidas no agachamento frontal, em relação ao tradicional. A ação dos músculos dos glúteos não foi medida neste estudo.

Mas então se o estudo não encontrou diferenças significativas entre as solicitações do quadríceps, não existe diferença entre um agachamento e outro? Basicamente, se tomarmos como parâmetro apenas os quadríceps, não. Porém, como já citei, devemos analisar os movimentos como um todo, avaliando a sua ação também sobre os demais músculos, inclusive os estabilizadores.

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Neste sentido, uma das maiores vantagens do agachamento frontal em relação ao tradicional é o fato de o primeiro ter uma sobrecarga sobre os músculos lombares mais reduzida. Em contrapartida, o agachamento tradicional permite uma maior carga e em alguns casos, intensidade, em relação ao frontal.

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Com estas hipóteses e evidências, podemos acreditar então que as duas técnicas são muito eficientes para o treino de membros inferiores, tendo um trabalho bastante intenso sobre os glúteos e as coxas, sendo o agachamento tradicional uma técnica que permite a utilização de cargas mais elevadas, justamente pela ação da coluna lombar no auxílio da estabilização do movimento. Já no caso do agachamento frontal , por ser baseado em uma técnica muito mais complexa, deve ser executado em rotinas de treino mais avançadas, não sendo muito indicado para iniciantes, justamente pela falta de técnica e de força.

De maneira geral é possível afirmar que o agachamento é fundamental para a construção de pernas mais bonitas e fortes. A utilização do agachamento frontal pode ser alternada com o tradicional, justamente para ter um treinamento mais intenso. Além disso, alguns casos de patologias ou desequilíbrios musculares na região da coluna lombar podem ser compensados com o agachamento frontal. Bons treinos!

Sobre Sandro Lenzi

Educador físico apaixonado pelo desenvolvimento humano. Atuo como produtor de conteúdo, personal trainer e com consultoria online.
CREF: 22643-G/SC

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  1. Comecei a fazer o treino Upper Lower, comecei a utilizar mais carga em todos os exercícios, porém no agachamento tradicional eu sempre agachei até o ângulo de 90°, quando comecei a utilizar 130kg meu joelho não aguentou, fiquei 10 dias sem treinar pernas, hj optei pelo frontal por força menos meu joelho.

  2. Olá, muito bom o texto, teria o nome do artigo do Ferreira (2010) para que eu possa ler na integra? Obrigado!

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